Espírito Santo lança Fundo de Descarbonização com quase R$ 1 bilhão para financiar a transição energética
Com foco na transição energética e na redução das emissões de gases de efeito estufa, o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) lançou, nesta terça-feira (27), o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo. A iniciativa foi apresentada em cerimônia no Palácio Anchieta, em Vitória, e passa a operar sob gestão da BTG Pactual Asset Management.
O lançamento posiciona o Espírito Santo entre os estados brasileiros que avançam na estruturação de instrumentos financeiros voltados ao desenvolvimento sustentável, sobretudo na utilização de recursos provenientes de combustíveis fósseis para promover a transição energética.
Pioneiro no financiamento verde no País, o Bandes — que, no ano passado, foi citado no relatório internacional “State of Green Banks 2025”, destacando a atuação dos bancos verdes no enfrentamento às mudanças climáticas — lidera a criação do fundo alinhado ao Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), que prevê a redução de 27% das emissões até 2030 e a neutralidade de carbono até 2050.
O Fundo de Descarbonização capixaba possui a estrutura de blended finance como seu grande diferencial. Também chamado de financiamento misto, o modelo engloba capital do setor público e do setor privado. No caso do Espírito Santo, somados aos R$ 500 milhões do Funses, estão recursos que serão investidos pela BTG Pactual Asset Management. Assim, o Fundo já nasce com recursos para apoiar a transição energética e permanece aberto para novos investidores.
Os eixos de investimentos são estruturados com base em quatro políticas transversais: minimização de emissões, aumento da eficiência, compensação de emissões e remoção e captura de gases de efeito estufa (GEE).
A estruturação do fundo, em parceria com o Governo do Estado, demandou elevado rigor técnico, além de um processo complexo que se estendeu por pouco mais de um ano até sua conclusão. O mecanismo inovador contou ainda com parceria do Instituto Clima e Sociedade (iCS), que forneceu apoio no desenho do instrumento financeiro e auxiliou na identificação de demandas de investimentos em descarbonização no Espírito Santo, validando o potencial do fundo.
Durante o lançamento, o governador Renato Casagrande destacou as ações do Governo no enfrentamento às mudanças climáticas e na transição energética, como o Programa Reflorestar, criado em 2011, o avanço no Cadastro Ambiental Rural e, mais recentemente, a instituição do Programa Capixaba de Mudanças Climáticas.
“Temos tratado a agenda climática no Espírito Santo com ações concretas há muitos anos. Implantamos políticas de reflorestamento, controle ambiental por georreferenciamento, uso de energia renovável na estrutura do Governo e incentivo a práticas sustentáveis. Agora damos um passo ainda mais decisivo ao criar um fundo que transforma recursos provenientes de combustíveis fósseis em investimentos para financiar a transição energética. É assim que unimos desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e qualidade de vida para as próximas gerações”, pontuou.
Na avaliação do vice-governador Ricardo Ferraço, o Fundo posiciona o Espírito Santo na vanguarda nacional ao transformar compromissos climáticos em instrumentos financeiros concretos: “Aqui no Estado trabalhamos com foco no futuro e nas próximas gerações, alcançando pioneirismo ao criar um dos maiores fundos subnacionais de descarbonização do País e o primeiro a transformar royalties de petróleo em investimentos verdes dessa escala. Ancorado no Plano Estadual publicado em 2023, o fundo dá materialidade às metas assumidas de reduzir em 27% as emissões até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050.”
“O Espírito Santo sai na frente e se oferece como inspiração para que outros façam também a sua parte. O fundo nasce com R$ 500 milhões do Fundo Soberano, oriundos de royalties de petróleo e gás, e já estruturado para alavancar capital nacional e internacional por meio do blended finance. A expectativa é superar R$ 1 bilhão em investimentos nos próximos anos, gerando empregos verdes, diversificando a economia e fortalecendo a resiliência social”, completou Ricardo Ferraço.
Segundo o diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, o lançamento consolida a atuação do banco em agendas de fronteira: “O Fundo de Descarbonização é resultado de uma política pública desenhada para garantir que os investimentos contribuam efetivamente para o cumprimento do pacto de neutralidade de carbono assumido pelo Espírito Santo.”
Ele destaca ainda que, nesse contexto, o Bandes, em parceria com a BTG Pactual Asset Management, e apoio do iCS, estruturou uma política de investimentos específica para o Fundo, com princípios, critérios e procedimentos claros, assegurando que os recursos alocados estejam alinhados à transição climática, à redução de emissões e à geração de impacto socioeconômico positivo. “Esse nível de governança e intencionalidade fortalece a economia de baixo carbono, posiciona o Espírito Santo na vanguarda nacional da agenda climática e reafirma o papel do Bandes como referência na integração entre finanças, inovação e responsabilidade ambiental.
O diretor-presidente ressalta ainda que o modelo adotado possui potencial de replicação em outras regiões e setores econômicos, servindo de referência para entes subnacionais que buscam alinhar crescimento econômico, conservação ambiental e inovação institucional. “As mudanças climáticas exigem políticas públicas consistentes e instrumentos financeiros à altura do desafio. O desenvolvimento só é efetivo quando é também ambientalmente responsável, e o Espírito Santo demonstra que é possível liderar esse processo com seriedade e visão de longo prazo”, apontou Saintive.
“Os bancos de desenvolvimento têm um papel estratégico para viabilizar o financiamento da descarbonização, especialmente ao estruturar instrumentos inovadores e mobilizar capital privado em escala. O mecanismo criado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo é pioneiro no Brasil ao direcionar recursos de origem fóssil para acelerar a transição energética, combinando visão de longo prazo, mercado de capitais e impacto climático. Trata-se de uma experiência que deve servir de inspiração para outros estados e bancos públicos que buscam criar soluções financeiras para enfrentar o desafio climático e promover o desenvolvimento sustentável”, comentou a diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Maria Netto.
Supervisionado pelo Bandes, o Fundo contou, inicialmente, com um aporte de R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses) — criado pelo Governo do Estado para garantir a aplicação sustentável dos rendimentos originados da exploração de combustíveis fósseis. Estruturado como um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), a iniciativa tem como objetivo direcionar esses recursos para o financiamento de atividades e setores que promovam a descarbonização no Espírito Santo. Para isso, o Fundo investirá em títulos de crédito e outros direitos creditórios emitidos por sociedades com sede fiscal no Estado, além de projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa.
Principais setores a serem apoiados
De acordo com informações do edital, o Fundo deverá apoiar empreendimentos voltados à descarbonização, como, por exemplo, os seguintes segmentos: Geração de energia renovável (solar, eólica, biogás e biometano); Tecnologias limpas aplicadas à produção industrial; Eficiência energética e eletrificação de cadeias logísticas; Reflorestamento e restauração ambiental; Práticas agrícolas sustentáveis e agricultura regenerativa; Produção e uso de biocombustíveis e combustíveis alternativos; Transportes de baixa emissão, incluindo eletrificação de frotas; Gestão de resíduos, com foco em valorização energética, biogás e reciclagem.
“O Fundo de Descarbonização do Espírito Santo representa um avanço relevante na forma como políticas públicas e capital privado podem atuar de maneira complementar para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. Ao unir uma governança robusta, critérios técnicos rigorosos e uma estrutura de blended finance, a parceria com o Bandes cria um instrumento capaz de transformar metas climáticas em investimentos concretos, com impacto econômico, ambiental e social para o Estado”, explicou o sócio da BTG Pactual Asset Management, Sergio Cutolo.
Os ativos do fundo deverão ser emitidos por emissores que atuem diretamente na implantação, ampliação, manutenção, recuperação, adequação ou modernização de projetos que contribuam para a descarbonização da economia do Espírito Santo, nos setores de Energia, Indústria, Agricultura, Agropecuária, Florestas e Uso do Solo (AFOLU), Transportes, Resíduos e Serviços, sendo vedada a concentração dos direitos creditórios em um único setor.
“A Secretaria de Desenvolvimento terá papel protagonista na conexão entre o Fundo de Descarbonização e o setor produtivo. Por meio da agência de atração de investimentos NOVA ES, vamos dialogar com empresários, investidores e grandes projetos para transformar essa iniciativa em oportunidades concretas de desenvolvimento sustentável. O Fundo nasce com a missão de impulsionar uma nova economia no Espírito Santo, aliando competitividade, inovação e responsabilidade ambiental. Nosso foco é atrair investimentos que gerem emprego, renda e impacto positivo, consolidando o Estado como referência nacional na transição para uma economia de baixo carbono”, analisou o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume.
O apoio deverá estar em conformidade com as normas, regulamentos e padrões de proteção à saúde, ao meio ambiente e à segurança do trabalho, conforme comprovado por certidões emitidas por órgãos da União e/ou do Estado do Espírito Santo, bem como adimplentes com a União (inclusive FGTS), o Estado do Espírito Santo e demais entidades da administração pública estadual.
“Estamos muito satisfeitos em fazer parte dessa iniciativa ao lado do Bandes e do Governo do Espírito Santo. A BTG Pactual Asset Management vai colocar toda a sua esteira de originação, análise e gestão a serviço da construção de um portfólio robusto, com projetos sólidos e aderentes às metas de descarbonização do Estado. Nosso objetivo é levar essa agenda a um novo patamar, conectando empresas com projetos transformadores e investidores que buscam unir retorno financeiro consistente ao incentivo a políticas ESG”, destacou Cutolo.
A seleção da BTG Pactual Asset Management se deu em 2025, após uma chamada pública, que contou com 11 candidatas de todo o País. Segundo a gestora, responsável por conduzir o atendimento às empresas interessadas e pela análise dos projetos submetidos, as iniciativas deverão estar alinhadas ao Plano de Descarbonização do Espírito Santo e direcionadas a setores estratégicos para a transição energética, como energia renovável; restauração e reflorestamento; tecnologias limpas para a indústria; agricultura sustentável; eficiência energética; eletrificação; biocombustíveis e transportes sustentáveis.
Os detalhes sobre os critérios de enquadramento, as condições operacionais e os procedimentos para acesso aos recursos serão divulgados em breve.
“O Espírito Santo dá um passo decisivo ao tratar a agenda climática como uma estratégia de desenvolvimento econômico. O Fundo de Descarbonização nasce com escala, governança e foco em resultados, mobilizando recursos para financiar a modernização produtiva, aumentar a eficiência das empresas e reduzir emissões de forma estruturada. É um exemplo concreto de como o financiamento ao desenvolvimento pode alinhar competitividade, inovação e sustentabilidade no longo prazo”, avaliou o diretor-executivo da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), André Godoy.
Empresas interessadas em submeter projetos e investidores que desejem participar da iniciativa podem entrar em contato com a BTG Pactual Asset Management pelo e-mail OL-funses-descarbonizacao@btgpactual.com
Saiba mais:
http://www.bandes.com.br/descarbonizacao
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